Em 1843, Ada Lovelace publicou o primeiro algoritmo de computador
Por Amanda Carvalho, Fundadora e CEO da Adaflow

Resumo
Ada Lovelace (1815-1852) escreveu em 1843 o que é considerado o primeiro programa publicado, para uma máquina que nunca foi construída.
Ada Lovelace escreveu um programa de computador em 1843, cerca de cem anos antes de existirem os primeiros computadores, e o escreveu para uma máquina que nunca chegou a ser construída. Matemática inglesa e filha do poeta Lord Byron, ela é lembrada, como registra a Encyclopaedia Britannica, como a primeira programadora da história, um título que a própria história da computação discute com cuidado. O que pesa a favor dela, em qualquer leitura, é a ideia que registrou nas suas Notas: a de que uma máquina de calcular podia manipular muito mais do que números.
Conheça Ada Lovelace, considerada a primeira programadora da história
Augusta Ada Byron nasceu em Londres em 10 de dezembro de 1815, filha única do casamento entre o poeta Lord Byron e Anne Isabella Milbanke. Os pais se separaram cerca de um mês depois do nascimento, Byron deixou a Inglaterra e morreu em 1824, quando Ada tinha oito anos. Ela nunca chegou a conviver com o pai.
Em 1835, aos 19 anos, casou-se com William King. Em 1838, ele foi feito Conde de Lovelace, e Ada passou a ser a Condessa de Lovelace, o nome pelo qual ficou conhecida. O casal teve três filhos. Segundo biógrafos, a mãe, Lady Byron, temia que a filha herdasse o temperamento do poeta e investiu numa educação voltada a matemática, lógica e ciências, algo pouco comum para meninas da aristocracia da época.
Uma infância entre a matemática e o sonho de voar
Em 1828, por volta dos 12 anos, Ada decidiu que queria voar. Estudou materiais para as asas, entre eles papel, seda oleada, arame e penas, e chegou a planejar um livro sobre o assunto, que chamou de Flyology. Já era uma criança que tratava uma ideia maluca como projeto de engenharia.
A saúde, porém, era frágil. Desde os oito anos tinha dores de cabeça que chegaram a atrapalhar sua visão e, em 1829, depois de um sarampo, ficou paralisada e passou quase um ano de repouso. Só em 1831 voltou a andar, com muletas. Mesmo assim, continuou estudando, com tutores como William Frend, William King e Mary Somerville e, mais tarde, o matemático Augustus De Morgan.
O encontro com Charles Babbage e a Máquina Analítica
Em junho de 1833, aos 17 anos, Ada foi apresentada ao matemático e inventor Charles Babbage por Mary Somerville. Babbage mostrava a visitantes um protótipo da Máquina Diferencial, uma máquina de calcular mecânica, e Ada ficou fascinada. A amizade e a troca de cartas duraram anos, e Babbage passou a chamá-la de "encantadora de números".
Naquela época, ele trabalhava num projeto bem mais ambicioso: a Máquina Analítica, pensada para ser programada por cartões perfurados, inspirados nos teares de Jacquard. Em termos modernos, seria um computador de uso geral. Só uma pequena parte dela chegou a ser montada, e nenhuma máquina completa foi construída até onde se sabe.
As Notas de 1843: o que Ada realmente escreveu
Em 1840, Babbage apresentou a Máquina Analítica num seminário em Turim, e o engenheiro italiano Luigi Menabrea registrou a palestra em francês, num artigo publicado em outubro de 1842. Charles Wheatstone, amigo de Babbage, sugeriu que Ada o traduzisse para o inglês. Ela levou cerca de nove meses, entre 1842 e 1843, e foi além da tradução: por sugestão de Babbage, acrescentou notas próprias, de A a G, que acabaram três vezes maiores que o artigo original. A publicação saiu em agosto de 1843, assinada só com as iniciais A.A.L.
Nas Notas, Ada foi mais longe que o artigo e, em alguns pontos, que o próprio Babbage. Na Nota A, sugeriu que a máquina poderia agir sobre qualquer coisa que se pudesse expressar em relações lógicas, não só números, e chegou a imaginar que ela compusesse peças musicais elaboradas. Na Nota C, descreveu como os cartões poderiam ser reutilizados em sequência, antecipando a ideia de laço de repetição dos programas de hoje.
Na Nota G, apresentou um exemplo detalhado: uma sequência passo a passo de operações para a máquina calcular números de Bernoulli. É essa tabela que a história da computação trata como o primeiro programa de computador publicado.
Ada Lovelace foi mesmo a primeira programadora?
É o título mais repetido sobre ela, e a resposta honesta tem nuances. A Nota G é, de fato, considerada o primeiro algoritmo publicado pensado especificamente para um computador. Mas o historiador Allan Bromley registrou que Babbage já havia escrito, entre 1837 e 1840, várias dezenas de programas de teste para a Máquina Analítica, mais simples, que nunca foram publicados.
E o próprio Babbage contou, em suas memórias de 1864, que se ofereceu para fazer o cálculo dos números de Bernoulli e que Ada o devolveu apontando um erro grave dele. Segundo ele, a escolha das ilustrações e o desenvolvimento algébrico dos problemas, com exceção desse, foram inteiramente dela. A biógrafa Betty Toole e Eugene Kim chegaram a defender, na Scientific American, que chamá-la de primeira programadora seria incorreto.
Por isso, o mais exato é dizer que Ada escreveu o primeiro programa publicado, em parceria intelectual com Babbage, e que o maior valor das Notas está na visão que elas trazem sobre o que as máquinas poderiam vir a fazer. Essa visão é a contribuição que a história lhe atribui com mais segurança.
O programa de Ada chegou a rodar?
Não em vida. Como a Máquina Analítica nunca foi construída, o programa da Nota G jamais foi executado por Babbage ou por Ada. Quando finalmente foi testado, já na era moderna, apareceu um erro: duas variáveis trocadas numa operação de divisão, a operação 4, que levaria a máquina a um resultado errado se ela executasse o programa como foi publicado.
O que existe construído de Babbage é outra máquina: a Máquina Diferencial nº 2, um projeto dele de 1847 a 1849, mais simples e voltado a tabelas matemáticas. O Science Museum de Londres a construiu a partir dos desenhos originais, com a parte principal pronta em 1991 e a impressora em 2002, e ela funciona. Foi o historiador Allan Bromley, da Universidade de Sydney, quem convenceu o museu de que era possível. A façanha mostra que a engenharia de Babbage era viável, mas essa máquina não executa o programa de Ada.
Ada Lovelace e a inteligência artificial
Um trecho da Nota G ganhou vida própria um século depois. Ada escreveu que a máquina não tem pretensão de criar nada por conta própria: ela faz o que se souber mandá-la fazer. Em 1950, Alan Turing batizou essa ideia de "objeção de Lady Lovelace" no artigo em que propôs seu teste de inteligência para máquinas, e dedicou parte do artigo a rebatê-la.
Ada não previu a inteligência artificial, ao contrário do que às vezes se repete. O que ela deixou foi a pergunta, formulada com precisão: o que uma máquina pode ou não criar? Hoje, a maioria dos cientistas da computação considera a resposta dela ultrapassada, já que programas podem evoluir de formas que seus criadores não previram, mas a frase continua sendo o ponto de partida da discussão.
Uma vida curta e um reconhecimento tardio
Ada morreu em 27 de novembro de 1852, aos 36 anos, de câncer de útero, a mesma idade com que o pai havia morrido, e foi enterrada ao lado dele, como pediu. As Notas ficaram décadas pouco lembradas. Turing as leu e as citou em 1950, e foi só a partir dos anos 1980, com a linguagem de programação que leva o nome dela, que Ada voltou ao conhecimento do grande público.
Do nome da linguagem Ada ao Ada Lovelace Day
Em 1980, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos batizou de Ada uma linguagem de programação criada para padronizar seus sistemas. O manual de referência foi aprovado em 10 de dezembro, aniversário dela, e o padrão militar recebeu o número MIL-STD-1815, o ano em que Ada nasceu. A Medalha Lovelace, da Sociedade Britânica de Computação (BCS), também leva o nome dela.
O Ada Lovelace Day foi criado em 2009 pela tecnóloga britânica Suw Charman-Anderson, que convidou as pessoas a escreverem sobre mulheres da ciência e da tecnologia que admiram. A primeira edição foi em 24 de março de 2009. Depois, a data migrou para outubro e hoje cai sempre na segunda terça-feira do mês: em 2026, 13 de outubro.
No Brasil, o nome aparece num supercomputador: o Ada Lovelace, instalado em 2021 no Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Cenapad-SP), na Unicamp, com financiamento da Finep. Segundo o comunicado de divulgação da época, 13 universidades de várias regiões do país, entre elas USP, UFMG e UFF, já o haviam utilizado.
Ada e Adaflow: inovação e inteligência no nome
O nome de Ada Lovelace ficou associado a uma ideia que ainda orienta quem trabalha com tecnologia: máquinas bem usadas podem fazer muito mais que o óbvio, desde que alguém enxergue como. É um parentesco de espírito que combina com uma contabilidade pensada para quem vive de tecnologia.
A Adaflow foi fundada por Amanda Carvalho, que viveu na prática os desafios fiscais e operacionais de trabalhar como PJ para startups dos Estados Unidos antes de criar a empresa. Desde então, a proposta é usar tecnologia e conhecimento especializado para simplificar essa rotina de quem presta serviço de tecnologia, marketing e serviços digitais, inclusive para clientes do exterior. Se esse é o seu caso, vale conhecer o perfil de quem já é cliente da Adaflow e os 4 motivos para ser Adaflow.

Quase dois séculos depois, a história de Ada Lovelace segue lembrando que tecnologia séria começa com gente disposta a enxergar mais longe que o óbvio.
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Perguntas frequentes
Quem foi Ada Lovelace?
Ada Lovelace (1815-1852) foi uma matemática inglesa, filha do poeta Lord Byron. Ficou conhecida por ter publicado, em 1843, notas sobre a Máquina Analítica de Charles Babbage, entre elas o que é considerado o primeiro programa de computador publicado.
Ada Lovelace foi mesmo a primeira programadora?
É o título tradicional, mas tem nuances. A Nota G é considerada o primeiro programa publicado para um computador, porém Babbage já havia escrito programas de teste que nunca foram publicados, e ele próprio afirmou ter fornecido as fórmulas dos números de Bernoulli. Muitos historiadores destacam que a contribuição dela vai além do programa: as Notas registram, com clareza incomum, o que a máquina poderia fazer.
O programa de Ada Lovelace chegou a rodar?
Não em vida dela, porque a Máquina Analítica nunca foi construída. Quando o programa da Nota G foi testado já na era moderna, apareceu um erro: duas variáveis trocadas numa divisão, que precisa ser corrigida para o resultado sair certo.
Qual a relação entre Ada Lovelace e Charles Babbage?
Eram amigos e interlocutores. Ada conheceu Babbage em 1833, aos 17 anos, e anos depois traduziu e comentou um artigo sobre a Máquina Analítica, projeto dele. Foi Babbage quem sugeriu que ela acrescentasse notas à tradução.
Quando é o Ada Lovelace Day?
Toda segunda terça-feira de outubro. Em 2026, cai em 13 de outubro. O dia foi criado em 2009 pela tecnóloga britânica Suw Charman-Anderson para dar visibilidade a mulheres na ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
A linguagem de programação Ada é uma homenagem a Ada Lovelace?
Sim. Criada por encomenda do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, teve o manual aprovado em 10 de dezembro de 1980, aniversário de Ada Lovelace, e o padrão militar da linguagem recebeu o número MIL-STD-1815, o ano em que ela nasceu.
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